Grupo pede demissão de administrador que fez disparos

O Ministério Público Federal (MPF) recomendou, nesta sexta-feira (13) à prefeita de Porto Seguro, Cláudia Oliveira (PSD), que exonere o administrador do distrito de Caraíva, Octávio Vizeu, visto que ele teria disparado uma arma de fogo em via pública e colocado em risco parte da população. A informação é do Bahia Notícias. O ato, ocorrido no dia 26 de outubro, gerou repúdio e manifestações de moradores da localidade.

Conforme o procurador Fernando Zelada, que assina a recomendação, o ato do administrador teria colocado em risco a vida de membros da comunidade indígena, de demais moradores e também de turistas. Além disso, a conduta se enquadraria nos crimes de “abuso de autoridade” e ainda de “disparo de arma de fogo”.

Associação de Nativos de Caraíva já havia alertado o município de Porto Seguro acerca de um suposto histórico violento de Octávio Vizeu na resolução de conflitos e o receio da comunidade em relação à indicação dele para assumir a função de administrador do distrito

Em nota, a repudiou a atitude de Octávio Vizeu e recebeu o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O MPF entende que a conduta do administrador de Caraíva destoa da finalidade de sua nomeação, “qual seja, a manutenção da ordem pública e boa gestão dos conflitos na vila”.

O procurador da República deu um prazo de 72 horas para que a prefeitura de Porto Seguro atenda a recomendação do MPF, além de cinco dias para o envio de informações sobre o acatamento do pedido.

OUTRO LADO - Ao RADAR 64, o administrador - que também é dono de uma pousada em Caraíva há quase 10 anos -, declarou que precisou agir para evitar uma tragédia. Segundo Octávio Viseu, um homem conhecido como Jaílton puxou uma faca durante uma discussão familiar.

"A pessoa contra a qual me indispus tentou esfaquear dois cidadãos nativos e um terceiro que tentou interferir. Antes, ele havia invadido uma propriedade particular e ameaçado moradores. Estava em situação de flagrante delito e, de acordo com a lei processual penal, sujeito a imediata prisão. Como não havia polícia aqui, a família pediu a minha intervenção e eu não poderia me omitir", declarou Viseu.