Lívia foi reconhecida na categoria "Mentes Jurídicas"

A promotora de Justiça baiana Lívia Maria Sant’Anna Vaz foi reconhecida como uma das 100 pessoas de descendência africana mais influentes do mundo. Ela foi a única brasileira com atuação no Sistema de Justiça a receber a homenagem do Mais Influente Afrodescendente (Mipad). Por conta do trabalho de combate ao racismo e à intolerância religiosa desenvolvido junto ao Ministério Público do Estado da Bahia, Lívia Vaz foi reconhecida na categoria “Mentes Jurídicas”.

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Os reconhecimentos do Mipad estão inseridos na agenda da Década Internacional das Nações Unidas para Afrodescendentes, que iniciou em 2015 e seguirá apresentando estas lideranças até 2024. Eles são concedidos a grandes empreendedores de descendência africana que atuam em setores públicos e privados de todo o mundo e formam uma rede progressiva de atores relevantes para se unirem no espírito de reconhecimento, justiça e desenvolvimento da África e do seu povo. 

Para Lívia Vaz, “compor a lista é sem dúvida o reconhecimento da importância do trabalho que vem sendo realizado junto ao MP da Bahia e, mais do que isso, significa um incentivo pra continuar nessa atuação de enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa, e promoção da igualdade racial”. 

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Ela acredita que um dos maiores desafios numa sociedade estruturada pelo racismo, como a brasileira, é convencer as instituições e pessoas que nelas atuam da centralidade da raça como uma questão determinante das desigualdades no país e, portanto, da imprescindibilidade da atuação do Sistema de Justiça no enfrentamento da situação. 

“Sem uma atuação contundente nessa seara jamais chegaremos a uma democracia efetiva no país”, alerta Lívia Maria Sant’Anna.

Lívia Vaz lembra que o Brasil possui 56% de pessoas negras na sua população, mas que não estão representadas nas instituições públicas e privadas, nos espaços de poder e decisão e isso tem impacto direto na forma como o Sistema de Justiça oferece os seus serviços aos cidadãos. Ela ressalta, inclusive, que ser promotora de Justiça nessa sociedade brasileira ainda é ser uma exceção que confirma a regra de exclusão de pessoas negras nos espaços de poder e decisão. “Sabemos que essa sub-representação, quase ausência de pessoas negras, de forma mais especial ainda de mulheres negras nesses espaços faz com que as instituições acabem reproduzindo o racismo institucional”, lamenta.

Com informações do MP / BA