A classe C nunca foi tão grande.

A pandemia promoveu intensa transformação na pirâmide de renda no país, que resultou em um fenômeno recorde: a classe C nunca foi tão grande. Hoje, 133,5 milhões de pessoas fazem parte dessa faixa de renda, cujo rendimento per capita varia entre meio salário mínimo até menos de dois. O contingente representa 63% da população, segundo estudo do economista Marcelo Neri, da FGV Social.  O pico anterior havia sido em 2014, com 55,1%.

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A concessão do auxílio emergencial e a queda de renda das famílias de classe média impulsionaram a mobilidade na renda dos brasileiros. “Nove meses do auxílio representam nove anos do Bolsa Família. Com isso, 15 milhões de pessoas saíram da pobreza”, afirma Marcelo Neri. O efeito, no entanto, é artificial, e os beneficiados podem voltar à situação de pobreza com o fim do benefício.

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Em paralelo, 4,8 milhões de pessoas da classe média alta — faixa com rendimento per capita a partir de dois salários mínimos — perderam renda e desceram para a classe C. Até julho, esse grupo era formado por 5,8 milhões de brasileiros, mas a retomada das atividades promoveu um retorno de um milhão ao topo.

CONTEXTO - Cerca de 65 milhões de brasileiros receberam o auxílio emergencial durante a pandemia. Em outubro, o governo reduziu à metade o valor das parcelas, que serão pagas até dezembro. Em paralelo, debate a criação de um programa social de transferência de renda, que englobaria o Bolsa Família. Ainda não há consenso sobre o financiamento do programa batizado provisoriamente de Renda Cidadã, e a decisão deve ficar para depois das eleições municipais. (O Globo)