Dimas Covas, diretor do Butantan, e o governador de SP, João Doria

A disputa em torno da Coronavac, a vacina contra a Covid-19 em desenvolvimento pelo laboratório chinês Sinovac, ganhou novo capítulo no Brasil, com a acusação do Instituto Butantan de que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estaria atrasando a liberação de importação de insumos para produção do imunizante.

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O diretor-geral do Butantan, Dimas Covas, afirma ter solicitado aval à importação de matéria-prima em setembro e ter sido informado, quinta-feira, de que o pedido só seria avaliado em reunião prevista para 11 de novembro. A Anvisa desmentiu o impasse e disse que a resposta sairá em até cinco dias úteis.

O embate reflete a disputa política formada entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria, envolvendo a Coronavac. Bolsonaro desautorizou acordo do governo federal para compra do imunizante e fez críticas a Doria, que respondeu, também com ataques.

Em foco: em visita inesperada, Bolsonaro acordou o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para fazer uma transmissão ao vivo, em que mostraram que não há rusgas entre eles após o presidente desautorizar o ministro. Irritado com Pazuello no episódio, Bolsonaro exigiu que ele se retratasse publicamente, conta Bela Megale.

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Outro olhar: enquanto isso, cientistas brasileiros pedem transparência no desenvolvimento das vacinas. A morte de um voluntário brasileiro, que participou de estudo clínico da Universidade de Oxford mas não teria recebido o imunizante, acendeu o alerta para o perigo da falta de informação. Mesmo informações básicas não estão claras, afirma Clarisa Palatnik-de-Souza, professora da UFRJ.

Em paralelo: o governo dos Estados Unidos autorizou o uso do medicamento antiviral remdesivir no tratamento da Covid-19. É o primeiro remédio aprovado para a doença no país.

Panorama: o Brasil chegou a 5,3 milhões de infectados com o coronavírus e 155.962 vítimas da Covid-19. A média móvel de mortes, ontem, era de 493.

*De O Globo