Durante cerca de 4h, agentes das Polícia Civil e Técnica da Bahia realizaram, neste domingo, a reconstituição da operação que acabou com a morte de Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) do Rio de Janeiro e acusado de atuar junto a milícia fluminense e de chefiar um grupo de matadoras de aluguel. A ação aconteceu em 9 de fevereiro deste ano, em uma propriedade na zona rural da cidade de Esplanada, cujo proprietário é o verador Gilsinho da Dedé, filiado ao PSL e atuante no município do interior baiano.

De acordo com informações da  Secretaria de Segurança Pública (SSP) da Bahia, equipes envolvidas no confronto que levou à morte de Adriano refizeram todo o percurso da ocasião: desde buscas, localização do alvo, entrada na casa e abordagem. A pasta detalhou que a célula tática responsável por agir dentro do imóvel, composta de três policiais militares, mostrou como foram as buscas e a tentativa de cumprir o mandado de prisão — o ex-capitão estava foragido desde o início de 2019. Os trabalhos foram coodenados por peritos do Departamento de Polícia Técnica (DPT).

Ainda de acordo com a SSP, o laudo da reprodução simulada será anexado aos exames periciais feitos no corpo de Adriano, no colete balístico atingido no confronto e na análise do local de crime. O procedimento foi realizado a pedido de delegados do Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco) da Bahia.


Secretário fala em 'transparência' - Por meio de nota, a Secretaria de Segurança Pública do estado informou que o titular da pasta, Maurício Barbosa, disse o órgão tem tratado o caso com transparência desde a ocorrência e que a reconstituição é mais uma maneira de esclarecer e oferecer os subsídios à Polícia Civil para concluir o inquérito. Barbosa informou ainda que, uma vez que o inquérito esteja concluído, os resultados serão repassados aos órgãos envolvidos.

Além do trio de policiais do grupo tático, a operação de captura de Adriano mobilizou, ao todo, 70 agentes. À época, a SPP informou que ele era suspeito de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), em março de 2018. Dois presos por suspeita de autoria do crime, Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, seriam membros do grupo de matadores comandado pelo miliciano.

Na operação em que foi morto, Adriano reagiu à tentativa de cumprimento do mandado de prisão decretado um ano antes, no âmbito da Operação Intocáveis, deflagrada pelo Ministério Público (MP) do Rio com o objetivo de desarticular uma milícia com atuação na favela de Rio das Pedras, na Zona Oeste da capital. No confronto com agentes baianos, acabou ferido e recebeu socorro, mas não resistiu.

De O Globo