O avistamento de uma onça-parda com um filhote caminhando calmamente pelas ruas do bairro Village, na Orla Norte de Porto Seguro, apesar de ter deixado alguns moradores assustados, é comemorado com uma grande vitória da natureza. “Isso comprova que há na região áreas de Mata Atlântica preservadas, que permitem a sobrevivência desse tipo de mamífero”, comemorou o biólogo Ronaldo Morato, coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros - CENAP, do ICMBio de São Paulo.

Ronaldo faz parte da equipe que faz o monitoramento da onça pintada na Reserva Particular do Patrimônio Natural – RRPN Estação Veracel, onde foram feitos registros da onça-parda, também conhecida como suçuarana (Puma concolor), em 2019. “Este registro de agora vem enriquecer ainda mais o potencial de turismo ambiental que já existe em Porto Seguro, que tem atraído pessoas de todo mundo”, celebrou.

Não foi feito nenhum registro fotográfico dos animais durante as aparições em áreas urbanas de Porto Seguro, mas a bióloga Lúcia Mendes, moradora de Porto Seguro, esteve na área onde a onça-parda foi vista e conseguiu encontrar pegadas do animal e do filhote e registros de arranhões em um muro. “Pela pegada fotografada e pela altura e marcas no muro, tudo indica que realmente seja onça-parda”, confirmou o biólogo Ronaldo.

REGISTROS - De acordo com Lúcia, há cerca de três semanas moradores do bairro relataram avistar uma onça-parda. “Imediatamente fiz um levantamento nas imediações do bairro, e encontrei os rastros de uma fêmea adulta com filhote”, contou ela.


A bióloga diz que, no último dia 25 de junho, uma moradora do bairro Mundaí, ainda na Orla Norte de Porto Seguro, também relatou ter avistado uma onça-parda atravessando a avenida do bairro.
Ronaldo Morato lembra que, durante o período de combate a pandemia da Covid-19, houve registros da presença de animais selvagens em áreas urbanas no mundo todo. “Como essas áreas estão mais tranquilas, menos movimentadas, esses animais se sentiram mais seguros para saírem das áreas de mata”, diz.

COMO AGIR - O biólogo destaca que esse tipo de animal não costuma atacar pessoas, mas que é importante não tentar se aproximar dele, pois a onça-parda pode se sentir acuada e acabar atacando para se proteger e ao filhote.

Para espantar o animal de perto das residências, o biólogo recomenda que as luzes das casas sejam mantidas acesas e que seja feito algum tipo sinal sonoro (sino, bater panelas) para que ele se assuste e vá embora.


Lúcia Mendes complementa que as pessoas não devem tentar fotografar ou filmar o animal, e muito menos tentar assustá-lo atirando pedras ou gritando. “Nunca dê as costas e saia correndo, pois o animal pode confundi-lo com uma presa. O ideal é manter a calma e ficar de frente para o animal”, reforçou a bióloga.

PROTEGIDOS PELA LEGISLAÇÃO – Lúcia Mendes ressalta que a suçuarana está na lista brasileira de espécies ameaçadas de extinção. Na Bahia, esta espécie costuma vagar por fragmentos de matas mais conservados. “Vale ressaltar que caçar ou manter em cativeiro um animal silvestre é crime ambiental com pena prevista de seis meses a um ano de detenção, além de multa”, concluiu Lúcia. 
Caso encontre um animal desses na cidade, entre em contato com a CIPPA e CETAS.

Por Eduarda Toralles / Fotos: Lúcia Mendes