Uma intriga sobre o furto de dois cães de caça desencadeou o assassinato do presidente de uma associação de agricultores em Eunápolis. A informação é da Polícia Civil, que apresentou nesta terça-feira (30/06) a conclusão do inquérito que apurou o crime.

Jorge Reinaldo Loyola de Oliveira tinha 63 anos e foi morto a pauladas em uma emboscada, em 1ª de abril deste ano. Ele transitava de moto com a mulher por uma estrada rural no Pré-Assentamento Baixa Verde, comunidade agrícola a 25 quilômetros do centro da cidade. Os bandidos pouparam a esposa dele.

A detenção dos três envolvidos no homicídio ocorreu no início da manhã desta terça, em um bairro de Itabela, em cumprimento a mandado judicial de prisão e de busca e apreensão. A ação teve o apoio de policiais da 7ª CIPM.


Segundo o delegado Moisés Damasceno, coordenador da 23ª Coorpin, Gilson Pedroso Prata, 42 anos, confessou que foi o articulador do assassinato. Junto com ele, também foi preso o seu genro, Cleiton Amaral de Sena, 23 anos e apreendido um adolescente de 17 anos. Os dois disseram que tiveram participação na morte. Um quarto suspeito está sendo procurado.

Após matar Jorge Loyola a pauladas, parte da quadrilha foi até a sua casa e roubou uma espingarda. A perícia constatou que os assassinos arrancaram ainda as orelhas da vítima. Em depoimento, Gilson confessou que guardou as orelhas em sua casa por quase 15 dias.

MOTIVO TORPE

Ao contrário do que se suspeitava inicialmente, o assassinato de Jorge Reinaldo Loyola não teve conotação política, já que ele era o presidente da associação Baixa Verde e, logo que assumiu o cargo, relatou que passou a receber ameaças.


Conforme as investigações, dois anos antes Jorge Loyola acusou Gilson de ter furtado suas duas cadelas. Gilson relatou que, durante todo esse tempo, as acusações não pararam, a ponto de Loyola até insinuar que iria matá-lo, caso não devolvesse os animais.

Incomodado com as acusações, já que afirma não ter furtado os cachorros, o acusado declarou que  se mudou para a Itabela com a família. Mas, no início do ano, ao retornar à Baixa Verde, ele diz que continuou sendo acusado e, então, arquitetou a morte de Loyola.


Conforme o delegado Moisés Damasceno, os acusados foram indiciados por homicídio duplamente qualificado. 

O adolescente já responde a ato infracional equivalente a assassinato na Vara da Infância e Juventude de Itabela. Ele é suspeito de ter matado um tio.