O produtor rural Gabriel dos Santos Costa, 32 anos, preso em Eunápolis com um carro com restrição de furto, iniciou uma investigação por conta própria para provar que era inocente.

A ‘Via Crúcis’ de Gabriel começou em março deste ano, quando ele foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal na BR-101, durante uma fiscalização de rotina.

Os agentes constataram que o veículo conduzido por Gabriel, uma picape Saveiro, tinha sido furtado na cidade de Serra, no Espírito Santo.

Ele foi levado para a delegacia de Polícia Civil, onde argumentou que não sabia da restrição, afirmando que comprou o carro de boa fé, com uma pessoa de Itabela, por R$ 31 mil, valor que foi parcelado.

Mas Gabriel acabou autuado em flagrante por receptação. Após pagar uma fiança de R$ 3 mil, ele foi liberado para responder em liberdade.

Já solto, Gabriel se movimentou para provar que não tinha culpa alguma nesta história toda.

Primeiro, foi até a cidade de Itabela procurar Jairo Tadeu Rosa Maia, a pessoa que lhe vendeu o carro.

Jairo Tadeu, por sua vez, declarou que havia comprado o carro de uma pessoa que reside em Serra e que também desconhecia qualquer irregularidade. Jairo Tadeu chegou a ir à delegacia de Eunápolis apresentar todos os documentos e comprovantes de compra.

Mas era preciso algo mais. Jairo Tadeu, então, foi até o Espírito Santo. Na delegacia da cidade de Serra, ele descobriu que o primeiro dono da picape, Jocimar Miguel Ramos, registrou uma queixa, dois meses após a venda, alegando que o carro fora furtado na porta de sua casa.

O delegado capixaba intimou Jocimar a prestar esclarecimento. Ele não compareceu na primeira audiência, alegando que estava doente. Foi expedida uma segunda intimação. Desta vez, ele apareceu. A polícia do Espírito Santo constatou que Jocimar prestou uma queixa falsa e que vai responder, criminalmente, por denunciação caluniosa. O que o levou a tomar tal atitude, ainda é desconhecido.

Agora aliviado, Gabriel dos Santos Costa, que é produtor rural e mora em Eunápolis, procurou a reportagem do RADAR 64 para restabelecer a verdade. "Nunca compraria qualquer bem de procedência ilícita. Sou um cidadão de bem e trabalhador", finalizou Gabriel.