O Sindicato dos Policiais Civis da Bahia, Sindpoc, suspendeu o atendimento ao público na delegacia de Porto Seguro nesta segunda-feira (11). Segundo o presidente da entidade, Eustácio Lopes, os agentes só vão atuar em flagrantes ou levantamento cadavérico.

A medida, conforme o sindicalista, é para preservar a saúde dos policiais, que estariam expostos à contaminação por Covid-19, uma vez que, segundo ele, existem detentos com suspeita da doença custodiados provisionalmente na unidade.

"Só vamos normalizar o trabalho quando estes presos forem transferidos para o conjunto penal de Eunápolis. Estamos na porta da delegacia, explicando nossa situação para quem vem aqui em busca dos serviços", afirmou Eustácio, em entrevista ao RADAR 64.

Na última sexta-feira (08), 11 detentos chegaram a ser levados para o presídio de Eunápolis, mas não foram recebidos. A direção do conjunto penal alegou que não poderia recebê-los, pois precisaria obedecer ao período de incubação de 14 dias, intervalo entre a data de contato com o vírus até o início dos sintomas. A medida visa prevenir um surto de coronavírus entre os 600 internos da unidade.


O presidente do sindicato denuncia ainda que os agentes do Disep (Distrito Integrado de Segurança Pública) estão sem condições de exercerem suas funções com segurança, pois a Secretaria Estadual da  Segurança Pública disponibilizou apenas duas máscaras de tecido para cada um, álcool em gel em pequena quantidade e nenhuma luva ou medidor de temperatura corporal. "Estas máscaras precisam se trocadas a cada três horas. Os policiais lidam diretamente com os presos, como no fornecimento de alimentação", frisa Eustácio.

OUTRO LADO - O delegado Moisés Damasceno, que coordenada a Polícia Civil na região, rebate as acusações do sindicato. Para ele, não há nenhum detento com coronavírus no Disep, como indicou testes rápidos feitos na semana passada. Mas o sindicato alega que este tipo de teste não é eficaz e pede que os exames sejam feitos pelo Lacen, o Laboratório Central de Saúde Pública da Bahia.

Sobre as máscaras, Moisés Damasceno diz que os equipamentos são laváveis e que os policiais trabalham em escala de plantão de 24 horas, com descanso de três dias. "No plantão seguinte, eles podem usar as máscaras normalmente, desde que as lavem. Todos têm luvas, sim. Quanto à medição de temperatura, sabemos que isso não é atribuição da Polícia Civil, mas dos órgãos de saúde pública", explica.

Conforme o sindicado, o Disep dispõe somente de duas celas com capacidade de dois presos, cada. "Mas as duas estão superlotadas, com mais de 10 detentos", diz Eustácio.


O delegado Moisés Damasceno analisa que a situação dos policiais é a mesma dos profissionais da área de saúde, que estão na linha de frente de combate ao coronavírus. "Nesta guerra, já morreram policiais e profissionais da área de saúde, mas eles não podem deixar de atender a população por conta desta situação", declara o coordenador.

O delegado Moisés Damasceno avalia que cada vez que o sindicado se comporta desta forma, pedindo para os policiais deixarem suas atribuições, acaba colocando também a população contra a Polícia Civil, já que estes serviços de atendimento ao publico são essenciais.