Salvador é a principal referência para o tratamento de casos graves da covid-19 na Bahia. No entanto, a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) instalou, em hospitais no interior, centros de classificação, triagem e estabilização de pacientes suspeitos da doença, que servirão tanto como unidades de retaguarda, quanto de referência secundária durante a pandemia. A única cidade a recusar a instalação dos leitos foi Itamaraju, porque a prefeitura não aceitou o fechamento completo do único hospital do município. Esta era uma exigência do estado para atendimento prioritário do coronavírus no Extremo-Sul.

A Sesab iria instalar 20 leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) no Hospital Municipal de Itamaraju e transformá-lo em um dos centros de referência e retaguarda para o tratamento da covid-19 no interior. Dados da pasta apontam que a Bahia tem pelo menos 19 hospitais que são referência para tratamento de pacientes com Covid-19 e que, juntos, somam 175 leitos de UTI adulto e 10 de UTI pediátrica. Com ampliações e reformas, serão criados mais 640 leitos de UTI adulto.

Mas, para isso ocorrer, a prefeitura local teria que renunciar da utilização do único centro médico da cidade, para evitar que pacientes infectados com o coronavírus tivessem contato com outros de outras doenças no mesmo hospital, o que aumentaria a possibilidade de disseminação da doença. O governo iria assegurar a aquisição de equipamentos, insumos e equipes para o hospital, mas, apesar das tratativas, o prefeito Marcelo Angênica (PSDB) optou por recusar a oferta.

Com a recusa do prefeito, a Sesab informou que irá avaliar se vai desistir da instalação dos leitos na cidade, ou se irá retomar as negociações com a prefeitura em outro momento. Ao CORREIO, a assessoria da pasta adiantou que, a priori, os leitos não serão mais instalados em Itamaraju.

Referência

O Hospital de Itamaraju é responsável por atender também a população dos municípios vizinhos de Prado e Jucuruçu. Segundo a prefeitura, no último ano, o hospital realizou 77.454 pronto-atendimentos, 1.096 partos, 1.257 cirurgias e 3.710 internamentos, além de quase 2.000 exames diversos.

Atualmente, a unidade conta com sete leitos de tratamento semi-intensivo, cada um com seu respectivo respirador. Desses, quatro estão dedicados exclusivamente a pacientes com coronavírus, em ala separada na unidade. Outros quatro respiradores serão utilizados para ampliar a estrutura.

Segundo o prefeito, em carta aberta destinada à população, divulgada neste domingo (12), o fato de a prefeitura não ter aceitado os leitos do governo seria porque a unidade presta serviços essenciais para diversas demandas da região, como partos, serviço de urgência e emergência em cirurgia geral, obstetrícia, ortopedia e urologia.

Na carta, Marcelo diz que o momento exige de todos medidas enérgicas no enfrentamento à pandemia e que ele possui dupla responsabilidade, por ser médico e prefeito.