A sétima morte causada pelo novo coronavírus (Covid-19) na Bahia foi confirmada na manhã deste sábado (04). De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado (Sesab), uma mulher foi a óbito na UPA de Itapetinga, região sudoeste. A professora Rafaela Silva de Jesus, 28 anos, morava em Trancoso, distrito de Porto Seguro. Ela foi a vítima mais jovem do Covid-19 na Bahia.

O marido, o taxista Erivaldo Lopes Santos, 48 anos, informou ao RADAR 64 que a mulher estava grávida e optou por realizar o parto no dia 25 de março em Itapetinga, para poder ficar mais próxima da família.

No dia seguinte, 26 de março, ela teve alta. Mas, cinco dias após a cesárea, apresentou quadro de insuficiência respiratória, febre e dor de cabeça, tendo sido internada na UPA daquela cidade. O estado de saúde de Rafaela se agravou e ela precisou usar respirador mecânico, mesmo assim não resistiu e evoluiu para óbito em 1º de abril.

Em 2 de abril, a mulher foi enterrada em Itapetinga, em um caixão lacrado. No dia 3 de abril, Erivaldo voltou para Trancoso com filha recém-nascida.

A Secretaria de saúde de Itapetinga mantém em isolamento toda a equipe médica que atendeu a paciente, bem como os familiares dela - três adultos e duas crianças. Já foi colhido material destas pessoas. É aguardada a divulgação do resultado dos exames.

FAMÍLIA ISOLADA EM TRANCOSO - Na manhã deste sábado (04), equipes da Secretaria de Saúde de Porto Seguro estiveram na casa do taxista, em Trancoso. Ele, o bebê e mais cinco pessoas da família foram mantidos em isolamento. "Distribuímos máscaras de proteção para todos na casa, colhemos material para exame e orientamos que ninguém saísse, até a divulgação dos resultados, que devem sair na terça-feira, pois pedimos urgência ao Lacen", disse o secretário. Nenhuma das pessoas isoladas na casa apresenta sintomas.


A VIAGEM A ITAPETINGA - Em entrevista ao RADAR 64, o taxista Erivaldo Lopes afirmou que ele e a mulher partiram de Trancoso para Itapetinga em 17 de março. O parto em um hospital particular já estava agendado. "Ao chegamos a Itapetinga, fomos informados pela secretaria municipal de Saúde que precisaríamos passar por uma triagem, pois víamos de Trancoso, uma região onde já havia casos positivos de coronavírus. Não apresentávamos nenhum sintoma, mas fomos colocados em isolamento até o dia do parto, em 25 de março. Rafaela deu à luz e, no dia seguinte, recebeu alta. Fomos para a casa da família dela", disse o taxista.

Em 31 de março, Rafaela começou a sentir os sintomas e buscou atendimento médico na UPA de Itapetinga. Ficou em uma ala de isolamento. No mesmo dia, o quadro pirou. Ela precisou de respirador mecânico.  Na tarde do dia 1º de abril, ela morreu. O resultado do exame que testou positivo para convid-19 só saiu no dia seguinte. Erivaldo falou que, além de taxista, também é dono de uma pequena pousada e de uma empresa de agenciamento de turismo em Trancoso.

Nos últimos anos, a vida de Rafaela foi um vaivém. Com uma frequência, ela percorria os pelos 280 km de estrada que separa a Itaju do Colônia, cidade do sul da Bahia, e a vila de Trancoso, em Porto Seguro.

Na primeira, ela era professora de ensino infantil em uma escola da rede municipal. Na segunda, ajudava o marido Erisvaldo Lopes dos Santos, 47, nas operações da Bigotur, empresa de transfer turístico.

A primeira morte no estado foi notificada no último domingo (29). Era um homem de 74 anos, morador de Salvador.