| Foto: Paulo Rogério |
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| Bares e restaurantes aproveitam a omissão do setor público |
Por ter se tornado um dos principais destinos turísticos do Brasil, a gente sempre acha que as coisas podem melhorar com o tempo, em Porto Seguro. Mas naquela cidade ocorre exatamente o contrário. A pouca infraestrutura existente está sendo devorada por um turismo não sustentável e acima de tudo inacessível.
As calçadas de Porto Seguro não foram feitas para o pedestre. Quando muito, para as mesas e cadeiras dos inúmeros restaurantes, lanchonetes, vendedores ambulantes de todos os tipos, quiosques, capeteiros e o diabo a quatro. Mas o pior mesmo é a falta de banheiros públicos.
Aliás, banheiro público em Porto Seguro tem que pagar. Um morador de lá nos disse que em Porto “a única coisa que não se paga é o ar”. E é verdade.
Na Passarela no Álcool, um banheiro público cobra R$ 1,00 por cabeça. Na maior parte das vezes não há papel. Que ninguém fale em ducha. Por muitos anos o poder público vem ignorando solenemente o problema.
Na cidade, o único banheiro público adaptado está dentro do aeroporto. Na maioria dos estabelecimentos como bares, restaurantes e lanchonetes não se considera a possibilidade de o cliente necessitar de um banheiro adaptado. Se você é cadeirante, comece a pensar em outras cidades turísticas como destino da sua viagem de férias.
O mais deprimente é o banheiro da rodoviária de Porto Seguro. Um funcionário, não se sabe de qual setor, porque não exibe uma identificação, cobra R$1,00 e te entrega o papel com a mesma mão que ele recolhe o dinheiro.
Os vasos sanitários, sem tampas, ficam em cubículos onde algumas portas não fecham. Não existe sabonete líquido (nem em barra), muito menos toalhinhas de papel. As pias, sempre vazando, são tão velhas que devem ter vindo nos porões das Caravelas de Cabral. A fedentina é grande e a sujeira das paredes, portas e piso envergonham.
Na falta de banheiro público gratuito, e poderia muito bem ter banheiros químicos estrategicamente posicionados no centro da cidade, os bares e restaurantes literalmente fazem a festa, cobrando taxas de R$, 1,50 ou R$ 2,00 para utilização dos seus banheiros para os não clientes. A prática já foi apelidada pelos turistas de “farra dos banheiros públicos”.
A mesma coisa ocorre em Arraial d’Ajuda. Perto do embarque da balsa não há banheiros públicos. Aproveitando-se disso os restaurantes, bares e quiosques das proximidades cobram R$ 1,00 por pessoa.
O resultado é que tanto na Passarela do Álcool quanto próximo à balsa, em Arraial, especialmente à noite, a maioria se resolve nos muros, detrás das árvores, detrás dos carros. Para os homens, este retorno ao estado de natureza é perfeitamente tranquilo, eles já nasceram adaptados para (...) em pé!
Agora, para nós mulheres é um tal de espremer as pernas e morder os lábios tentando inverter a lei da gravidade que só Deus na causa!!! Agachar no meio do mato, no meio do nada, arriscando ser picada por formiga, por cobra, ou queimada por certo tipo de vegetação não é de Deus, não (risos).
Portanto, quando uma mulher reclamar de fazer xixi sentada, entenda.
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