ENTREVISTA
Publicado em 12/03/2010 às 15h36, atualizado 13/03/2010 às 17h51

Presidente da Fíbria diz que Veracel II é prioridade

Por Agência Estado

SÃO PAULO - Apesar de ainda depender da redução da dívida, o plano de expansão da Fibria já está traçado. O projeto, em prática a partir deste ano, prevê a construção de duas fábricas de celulose até 2016.

A primeira é uma nova linha de produção na Veracel no município de Eunápolis, em parceria com a sueco-finlandesa Stora Enso. A segunda é a duplicação da fábrica de Três Lagoas (MS), que entrou em operação em março de 2009. Segundo o presidente da Fibria, Carlos Aguiar, a direção da Fibria já aprovou o plantio de floresta nas duas regiões e aguarda apenas um aval da Stora Enso, que deve ser dado no primeiro semestre. A seguir, os principais trechos da entrevista à Agência Estado:

Desde que foi criada, a Fibria traçou como prioridade reduzir sua dívida. Quando o foco será direcionado para a expansão?

Já voltamos a conversar com a Stora Enso no sentido de reiniciar os plantios para Veracel II. Antes da crise, iniciamos o plantio nas áreas nas quais já possuíamos licença (ambiental) e chegamos a iniciar o estudo de viabilidade. Mas, com a crise, paralisamos todo o processo. Agora, podemos dizer que ambas as empresas estão em situação de poder caminhar novamente.

Houve uma sinalização positiva da Stora Enso em relação à retomada do projeto?

Estamos conversando sobre o assunto. Resolvido isso, o que a gente pretende que ocorra ainda no segundo trimestre de 2010, reiniciaremos o plantio onde já temos licença e vamos prosseguir com o processo de licenciamento, de modo que permita que no ano que vem a gente já aumente a área plantada. Com isso, poderíamos estar em condição de iniciar a nova fábrica em meados de 2014.

Quando será tomada a decisão sobre o investimento?

Precisaríamos tomar a decisão do projeto industrial em meados de 2012. Ou seja, temos 2010 e 2011 para plantarmos e em 2012 decidiríamos sobre a fábrica.

Mas a Veracel ainda enfrenta problemas para obter novos licenciamentos na região.

O negócio (pedido de licenças) está andando. O que ocorre é que "tiramos a pressão" porque não estávamos com necessidade (de acelerar o projeto). Mas na hora em que decidirmos tomar a decisão, voltaremos a conversar com os órgãos locais.

Com o impasse na Bahia, a empresa pode acelerar o projeto de expansão da fábrica de Três Lagoas?

A Veracel é nossa prioridade, porque já temos cerca de 35% das necessidades florestais para o projeto e podemos plantar outros 12% em 2010, com as licenças que a empresa possui. Dito isso, também aprovamos em Conselho o início da compra de terras ou o arrendamento de terras em Três Lagoas, visando à expansão da fábrica.

Como está o cenário atual para os fabricantes de celulose? 

A tendência de forte demanda na China continua em 2010, porque ainda há grandes máquinas de papel para entrar em operação. A importação mostra sinais de estabilidade, mas isso ocorre porque não há oferta de celulose. Também vemos que o mercado de papéis em geral está voltando nos EUA. O mesmo ocorre na Europa, onde já vemos a demanda de alguns clientes voltarem ao nível pré-crise.

 
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