Publicado em 03/11/2012 às 11h10, atualizado 05/11/2012 às 00h16

Queima do ônibus em Guaratinga pode ter ligação com políticos e crime eleitoral

Por Teoney Guerra

Foto: Estevão Silva 
Ônibus foi queimado em frente ao fórum de Guaratinga
GUARATINGA - A suspeita de que a queima do ônibus que estava em frente ao fórum da cidade de Guaratinga, sob a custódia da Justiça Eleitoral, pode ter sido “facilitada”, começa a ser considerada entre a população. 

O que inicialmente foi tido como simples ato de vandalismo pode adquirir novos contornos, e se tornar um crime com possíveis ligações a políticos e ao suposto crime eleitoral registrado no dia 6 de outubro, véspera da eleição.

O que está intrigando a opinião pública é o fato do vigilante responsável pelo turno durante o qual a queima do ônibus ocorreu, ter abandonado o local de trabalho, ou seja, a segurança do fórum cerca de uma hora antes do crime, e esse vigilante ter ligações familiares com políticos da cidade que supostamente teriam interesses na destruição do veículo.

O próprio vigilante, Gilvan Pereira da Silva relatou à reportagem, por telefone – em telefonema feito do celular da administradora do fórum, Edelzira Rodrigues de Queiroz, e na sua presença – na manhã de quarta-feira, que por volta de 1h30 da madrugada daquele dia, ele havia deixado o fórum e ido para sua casa tomar um remédio após sentir uma dor de barriga. Lá teria ficado “recostado no sofá, com a televisão desligada, aguardando a dor passar”, até que o seu celular tocou e a administradora do fórum o informara, já por volta das 02h40, que o ônibus estava em chamas, horário que foi confirmado por ocorrência feita na delegacia de polícia local.

Há nesse fato uma coincidência. O vigilante tem parentesco em segundo grau com um ex-prefeito e com o candidato a prefeito eleito no município no pleito de outubro último, Kenoel Cerqueira Viana (PV), contra quem há um inquérito que apura sua possível participação no episódio que resultou na apreensão do ônibus. Ou seja, uma possível participação de Kenoel, no que o Ministério Público considerou crime eleitoral, motivo de ação na Justiça Eleitoral.

Não há testemunhas nem indícios de quem pôs fogo no ônibus, apenas o registro do fato, feito em ocorrência, pelo soldado PM Hudson. 

ENTENDA O CASO – Na véspera da eleição, dia 6 de outubro, o promotor de Justiça Eleitoral, Dinalmari Mendonça Messias flagrou o ônibus da Magestur Agência de Viagens e Turismo Ltda, esse mesmo que foi incendiado, desembarcando ilegalmente, 52 eleitores que vieram de Belo Horizonte para votar em Guaratinga. O candidato Kenoel Cerqueira Viana recepcionava, na casa de um correligionário, o grupo de eleitores que foram detidos, levado para o fórum e, após prestarem depoimentos, foram liberados.

O considerado – pelo promotor - flagrante de Crime Eleitoral foi apurado pela Polícia Civil em Inquérito que, segundo advogados, tornou-se Processo movido pelo Ministério Público, que tramita na Justiça Eleitoral.  

 

 
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